Braun - Vega . Memórias e Filiações


27 de Outubro . 19h . Inauguração
Exposição de 28 de Outubro a 03 de Janeiro de 2011
De Terça a Domingo das 9h as 18h
ENTRADA GRATUITA
 

Quem somos ? De onde viemos ? Um artigo do Le Monde 2, do dia 21 de novembro de 2008, comenta o texto publicado na revista americana GQ intitulado The Book of me, escrito pelo romancista Richard Powers. Neste longo texto, Richard Powers conta que ele “virou o nono homem do mundo a ter seu genoma completamente sequenciado (…). No final, Powers se encontra com pelo menos 248 variantes genéticas que o predispõem a umas 77 patologias diferentes.

Mas o mais extraordinário, diz ele, não é isso: ‘8% do meu material genético contém variações que me aproximam dos iorubás que vivem em Ibadan, na Nigéria. Eu virei outra pessoa, alguém diferente de quem eu pensava ser’.” É interessante notar que quando se fala do Obama, nos Estados Unidos, ele é apresentado como o «primeiro presidente negro», ignorando a brancura da sua mãe que faz dele, na verdade, o «primeiro presidente assumidamente mestiço» - logo, por extensão, também deveríamos considerar Richard Powers, apesar de ser loiro de pele branca, como um americano de origem negra ? (ler «J’irais cracher sur vos tombes», escrito por Boris Vian sob o pseudônimo de Vernon Sullivan).

Acho que seria interessante realizar um sequenciamento das «variantes constituintes» do «ser» das obras de arte, da mesma maneira que podemos fazer o sequenciamento do genoma humano. Sem medo de ir longe demais, creio que nós encontraríamos nessas «variantes constituintes» um sequenciamento de alianças e elementos sincréticos na origem de diversas culturas. Eu prefiro deixar esse trabalho aos historiadores eruditos. Faz mais de quarenta anos que eu trabalho a memória dos espectadores, e nestes últimos anos, eu faço aparecer as filiações que tecem a minha obra. 

BRAUN-VEGA

ENCONTRO NO ATELIÊ
Estar com o artista Herman Braun-Vega, este verão em Paris, e ver as obras que seriam exibidas na Galeria Marta Traba, constituiu-se uma experiência impressionante. Tecer contato pessoal com o coração de seu trabalho: o Ateliê do artista. O percurso até o destino, prenunciava abandonar a agitação da Paris turística, que aos poucos se diluía na paisagem contemplada nas janelas do trem.

Na mente a lembrança de outra viagem, à Auvers Sur Oise, onde Van Gogh produziu seus últimos trabalhos. Experimentar lugares de artistas tem para mim uma força incomum. Na calma Arcueil, em uma casa absolutamente planejada para a criação artística, encontro Braun-Vega e sua obra. Estar com um grande mestre das artes,é em si só, uma dádiva. Este afastamento era necessário, pois Herman, além de ser um artista de nosso tempo absolutamente conectado e profundo conhecedor da História e das Artes, é também um pensador, e seu trabalho espelha um processo de recolhimento e reflexão, essenciais ao processo criador.

No ateliê, percorremos salas repletas de obras, especialmente dispostas para minha visita, sob uma luz natural, pensada para a real percepção de suas cores e matizes. Degustar suas obras e cada palavra de Herman ao discorrer sobre elas, marcou expressivamente um processo curatorial, que originou-se na Fundação Memorial em ocasião de visita ao Peru em 2007, como embrionário desta mostra que agora se apresenta.

Ângela Barbour
Curadora da Mostra
Gerente da Galeria Marta Traba

Galeria Marta Traba
Fundação Memorial da América Latina
Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664
Barra Funda . São Paulo . SP . Brasil
TEL: 3823-4705 / 3823-4707
www.memorial.org.br




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